65 poles – Ainda tem emoção na F1

Em determinado setor do circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, no Canadá. Um jornalista entrevista o piloto Lewis Hamilton (Mercedes) que poucos minutos antes tinha garantido a pole position do GP do Canadá. Pela 65ª vez o inglês conquistava a honra de alinhar seu Fórmula 1 na primeira posição do grid de largada. Porém, algo muito mais emocionante ocorreria naquele ponto da pista.

Uma caixa de vidro, coberta por um pano preto, escondia o que para muitos é um simples presente, mas que para Hamilton poderia ser aquele objeto dos sonhos, aquele que você sempre quis conquistar. Quando a surpresa foi descoberta, Hamilton não escondeu a emoção. Rapidamente deixou cair sua garrafinha de água, fez uma cara de que não poderia acreditar no que estava vendo.

Um capacete, pintado de amarelo, com duas faixas, uma verde e uma azul, com patrocínios de empresas, sendo que algumas delas nem existem mais. Algo que pode ser comum para qualquer piloto que chega a colecionar esse tipo de objeto, mas que para o tricampeão mundial era o melhor presente de todos os tempos.

O tal capacete foi usado por ninguém menos que Ayrton Senna, em 1987. Fã declarado do brasileiro (morto em 1994), Hamilton não escondeu as lágrimas, tirou o capacete da caixa e exibia para todos. Como descreveu a reportagem do globoesporte.com, o piloto parecia uma criança que recebeu o brinquedo dos sonhos.

Hamilton acabava de empatar com Senna em número de poles, e está há três de bater o recorde de Michael Schumacher. Mas do jeito que se comportou hoje, mesmo que ultrapasse o alemão – algo fatalmente acontecerá ainda neste ano, o piloto da Mercedes não vai ter uma emoção tão grande como teve hoje.

A reação de fã mostra mais uma vez que a Fórmula 1 tem espaço para o humano, mesmo sendo revestida da tecnologia que cada vez mais faz com que os pilotos pareçam robôs, frios, voltados unicamente para as corridas, esquecendo da emoção e da diversão que deve ser participar desta modalidade.

Senna foi um piloto que marcou uma era não apenas pelo talento, mas também pela emoção. Hamilton é um dos melhores pilotos de sua geração e pode marcar uma era pelo mesmo motivo. Não será o melhor de todos os tempos – e a intenção deste texto não é trazer qualquer tipo de reflexão sobre esse assunto, mas o inglês pode ser tão humano quanto foi o brasileiro.

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