20 anos, Creuzebeck

Mamonas AssassinasHá 20 anos eu pensava em comprar um apartamento no Guarujá, mas o máximo que poderia conseguir era um barraco em Itaquá. Essa época era bem difícil, era tão difícil que se desse uma chuva de Xuxa, no meu colo cairia o Pelé. Eu moraria nessa residência com Maria, uma ex-namorada minha que teve que ir a uma suruba em meu lugar e acabou voltando monoteta. Lembro bem das palavras que disse a ela. “´Mais vale um na mão do que dois no sutiã”.

Para quem não sabe, conheci Maria em Santos, pelado. Na época tinha uma Brasília amarela, mas o meu chuchuzinho não queria entrar no carro. Tinha certo momento que não sabia como conquistar a minha pitchula. Então resolvi levá-la ao “chopis centis” que tinha por perto. Levei ela para lanchar e quando cheguei por lá comi um bicho estranho com um tal de gergelim.

Nesse meio tempo passei a contar a minha história, quando vi da Bahia com o meu Jumento que se chamava Celestino. “Descendo com o jumento na maior vula, ultrapassei farol vermelho, dei de frente cuma mula. Saí avuando, parecia um foguete, só não estourei meu coco, pois tava de capacete…”, foi assim parte da minha história.

Depois dessa triste história, cantarolei uma música para deixar o clima mais alegre entre Maria e eu. “Sabão Crá Crá, Sabão Crá Crá. Não deixe os cabelos do saco enrolar…”. Ela riu copiosamente.

Mas nem tudo foram flores, em uma de nossas brigas tive que relembrar tudo aquilo que fiz por ela. “Te encontrei toda remelenta e estronchada num bar entre ás bebida. Te cortei os cabelos do sovaco e as unas do pé, te chamei de querida. Te ensinei todos os auto-reverse da vida e o movimento de translação que faz a terra girar. Te falei que o importante é competir, mas te mato de pancada se você não ganhar…”.

Um dia confessei a ela que não era um bom aluno. Que na quinta série eu tirava E, D, de vez em quando um C. Mesmo assim, com um fraco desempenho escolar, consegui evoluir e me tornei um grande protetor dos animais. “As pombas quando avoam, por incrível que pareça, ficam sobrevoando com o seu cu amirando em nossas cabeças…”, expliquei a ela em determinado momento.

Ensinei a ela a respeitar as diferenças. “Abra sua mente, gay também é gente, baiano fala oxente e come vatapá”, disse em alto e bom som. O problema é que ela não era muito fiel. Percebi isso em um de nossos momentos na cama, pois o meu nome é Djair que é facinho de confundir com João do Caminhão, nome de nosso vizinho.

Nesse momento Débil Metal, resolvi sair com os amigos para pegar um Sábado de Sol lá no Boqueirão, porém Maria acabou me trocando por uma alemão que tinha um Escorte. Triste fim para a nossa relação.

Na verdade, triste fim de uma banda que passou por aqui como um cometa em forma de mamona. Que alegrou de crianças a adultos com músicas irreverentes, se comportando como crianças. Vestidos de presidiários, Chapolin, He-Man e tantos outros personagens.

De certa forma agradeço ao destino que me fez esquecer o que senti no dia 2 de março de 1996, mas que em nenhum momento me deixou esquecer do quanto fui e sou feliz ao ouvir uma canção desses caras.

Sim, foi piegas (para dizer o mínimo), mas foi o jeito mais simples que encontrei de lembrá-los nessa data.

Então, atenção Creuzebeck. Vamos lá, pois sempre é hora de começar a baixaria!!!

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One thought on “20 anos, Creuzebeck

  1. Que bom que o destino te fez esquecer… eu não esqueci.

    E PQP!!! Que texto sensacional, foda, maravilhoso!!! Aposto que os cinco anjos que animaram um pedaço da nossa existência estão lendo isso, de onde estiverem, e estão tão emocionados como eu!

    Valeu…

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